Editorial Amazônia

Publicação internacional exalta frutos amazônicos e o potencial deles na indústria

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Lançada em janeiro deste ano, livro tem seis dos 18 capítulos escritos com a ajuda de professores da Ufam. Açaí, bacuri, cubiu, cupuaçu, piquiá e tucumã foram as frutas analisadas

cubiu
Foto: Arquivo/AC

O potencial dos frutos da região amazônica ainda é pouco conhecido, mas estudos iniciais apontam que eles podem ser utilizados não só como alimento, mas também como medicamentos e cosméticos. Uma publicação internacional, lançada em janeiro deste ano e que tem seis dos 18 capítulos escritos com a ajuda de professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), evidencia os benefícios desses alimentos tropicais.

Açaí, bacuri, cubiu, cupuaçu, piquiá e tucumã foram as frutas que tiveram suas propriedades químicas e nutricionais investigadas pelos professores e pesquisadores da Ufam Klenicy Kazumy Yamaguchi e Waldireny Caldas Rocha, ambas do Instituto de Saúde e Biotecnologia (ISB/Coari), e Carlos Vitor Lamarão, da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA). A publicação traz ainda informações sobre guaraná, buriti e camu-camu.

Klenicy destaca que o açaí é um dos frutos amazônicos mais conhecidos, sendo exportado internacionalmente e encontrado em viagens pela Europa, Japão, dentre outros países. Conforme ela, testes apontam que ele tem muita atividade anti-inflamatória e antioxidante e é possível utilizar tudo: popa, semente e árvore. Além disso, o óleo do fruto apresentou vários benefícios ao organismo, como proteção da pele e combate ao envelhecimento.

 Pontencial industrial

O bacuri não é tão conhecido como o açaí, mas é bastante consumido pelos moradores da região. Ele também é utilizado para elaboração de bebidas alcoólicas. Apesar de a fruta ter só 16% de rendimento, sendo o resto casca, nada se estraga de acordo com Klenicy.

“A casca pode ser utilizada na indústria de alimento e trabalhos iniciais mostram que ela tem uma substância com potencial para utilizar na indústria de cosmético também”, afirmou.

‘Desconhecido’

Ao contrário destes frutos, o cubiu quase não é conhecido pela própria população nativa, embora tenha sido muito utilizado em vários pratos pelos colonizadores, como afirma a professora Waldireny.

“Com o tempo, as pessoas começaram a usar limão e tomate e esqueceram o cubiu. Mas dá para usar ele de várias formas: na comida, como doce, geleia, sendo mais saudável e rico em vitamina C. Também tem propriedade antidiabética”, ressaltou a pesquisadora da Ufam.

Benefícios saudáveis

O cupuaçu, piquiá e tucumã são outros frutos amazônicos que têm benefícios diversos à saúde, conforme evidencia a professora  Klenicy Klenicy Kazumy Yamaguch, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O primeiro tem sua poupa bastante utilizada no desenvolvimento de sucos, doces e geléias. A semente pode resultar em chocolate e servir de matéria prima para a fabricação de cosmético. A casca, por sua vez, pode se transformar em alimento na indústria de panificação e tem alta quantidade de fibra.

O piquiá é muito consumido pelas pessoas, mas elas não sabem, de acordo com Klenicy, que ele tem atividade anti-inflamatória, combate a diabetes e ao envelhecimento. O mesmo desconhecimento ocorre em relação ao tucumã que é muito apreciado pelos amazonenses. “É excelente para a pele e como fonte de vitaminas. A casca tem atividade microbiana comprovada”, afirmou.

Valorização de produtos da região

Para a professora Klenicy Kazumy Yamaguchi esta é uma oportunidade única de valorizar nossos produtos, a cadeia produtiva que há no Amazonas, bem como divulgar os estudos desenvolvidos pelos pesquisadores locais.

“As pessoas têm a falsa impressão de que só o que é de fora tem qualidade, mas aqui, mesmo em meio a tantas dificuldades, nós fazemos pesquisas que valorizam a cultura de forma sustentável agregando valor aos produtos amazônicos”, comentou.

O livro “Tropical Fruits: From Cultivation to Consumption and Health Benefits, Fruits from the Amazon” (“Do cultivo ao consumo e benefícios à saúde, frutos da Amazônia”), da Nova Science Publishers, é um exemplo disso, uma vez que traz informações existentes na literatura. “Conseguimos reunir num só lugar, trabalhos feitos por grupos do Amazonas que envolvem inclusive aplicações voltadas à área de alimento, cosmético e biotecnológico”, contou Klenicy.

Os professores da Ufam colaboraram com a publicação a convite de professores da Universidade Federal de Viçosa. O livro foi publicado em inglês e está a venda na internet. Não há previsão de quando a obra será traduzida para o português.

A obra fala que os frutos da região amazônica são muito apreciados por suas características exóticas e têm sido objeto de interesse e pesquisa desde que os pioneiros europeus descobriram essa floresta tropical. Numerosos frutos comestíveis da região amazônica são considerados fontes ricas de proteína, embora seus metabólitos bioativos não sejam usados com sabedoria em todo o mundo, apesar de serem parcialmente consumidos pelas comunidades locais.

Diz também que a aplicação desses frutos sempre foi explorada pela medicina tradicional das tribos pré-colombianas que vivem na região amazônica; no entanto, a indústria farmacêutica moderna está mostrando grande interesse por essas frutas como fonte de potenciais moléculas bioativas com potenciais aplicações no tratamento de várias doenças, incluindo alguns tipos de câncer, diabetes, doença de Alzheimer, controle da pressão arterial, etc.

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