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Jornalista vai representar o Brasil no Miss Universo e afirma que vai estimular o empoderamento feminino. “Eu sempre quis muito, acreditei que era possível e trabalhei para isso”, disse

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FOTO: DIVULGAÇÃO


Antes de representar o Amazonas e ser coroada Miss Brasil 2018, a a jornalista itacoatiarense Mayra Dias, de 26 anos, já mergulhou no universo folclórico do Amazonas por meio da dança, seja pelo boi-bumbá ou pelos passos da ciranda. Ela pretende levar toda essa riqueza cultural e o seu engajamento ambiental ao Miss Universo, concurso que vai eleger a mulher mais bela do mundo. “Eu quero e preciso falar da Amazônia”, afirma.

Mayra foi escolhida Miss Brasil no último sábado (26) na disputa que envolveu outras 26 candidatas do País. Escolhida pelo público como a Miss Popularidade e Miss Fotogenia pelo concurso, a morena alcançou o título – que não era de uma amazonense desde Terezinha Morango em 1957 – após um top 3 formado por Bahia e Ceará. Ela levou a melhor e recebeu a coroa das mãos da Miss Brasil 2017, a piauiense Monalysa Alcântara.

“Fiquei feliz e realizada”, descreveu a amazonense. Antes de ser Miss Amazonas, Mayra já havia tentado por duas vezes o título em 2011 e 2012, porém acabou não ganhando. Ela adquiriu experiência em outros concursos como o Miss Amazonas Mundo e o Reina Hispanoamericana, onde alcançou o 3º lugar. Somente aos 26 anos, último ano possível para Mayra entrar na disputa devido ao limite de idade do concurso, a coroa veio, e com ela a responsabilidade de representar não só as mulheres do Brasil, mas um estado conhecido pelas manifestações culturais e relevância ambiental.

“Eu me identifico com causas voltadas para as mulheres, sobretudo que trabalhem a autoestima e o empoderamento. Eu quero e preciso falar da Amazônia, enfatizando a importância da preservação”, declarou a nova Miss Brasil, que é formada em jornalismo e pós-graduada em assessoria de imprensa.

Sonho realizado

A perseverança da Miss Brasil já é comparada à força da mulher indígena. Para alcançar o objetivo ela afirma ter se preparado por vários anos. “Eu sempre quis muito e acreditei que era possível e trabalhei pra isso. Tive sempre ao meu lado pessoas que acreditaram junto comigo, entre elas a minha família e meu assessor e amigo Miro Sampaio”.

Em entrevista ao Portal A Crítica, Miro Sampaio celebrou a vitória da amiga. “Posso assegurar que uma das missões dela é defender a bandeira do Amazonas. Ela dança boi, gosta de estar no boi-bumbá. Ela sempre foi para os eventos de manifestações culturais no Amazonas. Já dançou ciranda, ama folclore. Vai reafirmar a Amazônia todas as vezes que puder, disse.

Saudades de casa

Entre as novas tarefas da Miss Brasil estão participações em projetos promovidos pela Be Emotion e Polishop, e extensa agenda que inclui aparições em eventos, entrevistas, ensaios fotográficos e uma maratona de preparação física e mental para o Miss Universo. O concurso ainda não tem data e cidade sede definidas.

Apesar da lista de afazeres, ela afirma ter tempo para sentir saudade do Amazonas. “Ainda não tenho data pra retornar pra Manaus, mas já aviso que estou com saudades da minha terra. Quero comer peixe assado com farinha, suco de cupuaçu e pão com queijo e tucumã”, brincou.

Próximos passos

Antes da final do concurso, Mayra ficou confinada por 10 dias com as outras 26 candidatas em um resort no município de Mangaratiba, no Rio de Janeiro. Lá elas passaram por diversas provas de fotografia, passarela, oratória e tiveram as características analisadas mais de perto pelos jurados.

Com foco total no Miss Universo, Mayra diz que ainda não analisou as candidatas eleitas nos outros países. Nas redes sociais, o perfil da amazonense já é comparado com a venezuelana Sthefany Gutierrez, de 19 anos. “As comparações sempre vão existir, ainda mais em concursos de beleza. Eu lido de forma natural quanto a isso. Acho a Miss Venezuela muito linda”.

Sobre a rivalidade existente nos concursos, Mayra defende que a união fortaleceu o espírito das meninas durante toda a competição. Ela diz acreditar em “sororidade”. “Unidas nós somos mais fortes! Mantivemos um espírito de união e cooperação. Só uma venceu, mas todas ganharam e viveram uma experiência incrível”.

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A produção do etanol de segunda geração ou etanol celulósico, obtido a partir da palha e do bagaço da cana-de-açúcar, pode aumentar em até 50% a produção brasileira de álcool. Desnecessário enfatizar a importância econômica e ambiental dessa possibilidade, que transforma resíduo em recurso.

Para tanto, o país possui a melhor biomassa do planeta, a capacidade industrial instalada, a engenharia especializada e a levedura adequada. Só falta completar a composição do coquetel enzimático capaz de viabilizar o processo de sacarificação, por meio do qual os açúcares complexos (polissacarídeos) são despolimerizados e decompostos em açúcares simples. Compor uma plataforma microbiana industrial para a produção do conjunto de enzimas necessárias é o alvo de pesquisas avançadas na área.

Um importante resultado acaba de ser alcançado, com a descoberta, no lago Poraquê, na Amazônia, de microrganismos capazes de produzir uma enzima crítica para o êxito do empreendimento.

Isolada, caracterizada e produzida, a enzima mostrou-se compatível com duas fases essenciais da produção do etanol de segunda geração: a fermentação e a sacarificação. A realização simultânea dessas duas etapas oferece a perspectiva de uma grande redução de custos para a indústria sucroalcooleira, uma vez que as reações podem ocorrer em um único reator e há economia de reagentes.

O estudo mobilizou pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), da Petrobras, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e contou com apoio da FAPESP. Artigo assinado pela equipe de pesquisadores foi publicado na Biochimica et Biophysica Acta (BBA) – Proteins and Proteomics.

“A sacarificação é a etapa mais cara do processo. De 30% a 50% do custo do etanol celulósico é despendido com as enzimas necessárias para transformar os açúcares complexos em açúcares simples. E, atualmente, a eficiência da conversão realizada por essas enzimas está entre 50% e 65%. Isso significa que de 50% a 35% do açúcar disponível na biomassa é ‘perdido’ durante a sacarificação. O grande propósito do nosso estudo foi encontrar biocatalisadores capazes de contribuir para o aumento da eficiência”, disse Mario Tyago Murakami do CNPEM, um dos coordenadores da pesquisa, à Agência FAPESP.

Segundo o pesquisador, no arsenal de enzimas necessárias, atuando de maneira sinérgica, as beta-glucosidases têm importância fundamental, porque respondem pela última fase da cascata de sacarificação da celulose.

“Sabemos que, à medida que aumenta o percentual do produto da sacarificação, a taxa do processo de sacarificação cai. Porque a presença do produto inibe a atuação das enzimas. Isso é uma espécie de regra geral. No caso específico, a glicose gerada restringe a atuação das beta-glucosidases. Esse gargalo tecnológico tem sido objeto de estudos exaustivos. Para aumentar a eficiência da sacarificação, é preciso que as beta-glucosidases sejam altamente tolerantes à presença da glicose”, disse Murakami.

Devido a especificidades genéticas, decorrentes de diferenças no processo evolutivo, enzimas homólogas podem apresentar variados graus de resistência à inibição pelo produto. E o alvo dos pesquisadores no estudo em pauta foi encontrar as beta-glucosidases mais adaptadas à biomassa existente no território brasileiro. Para isso, foram investigados os processos naturais que ocorrem em diferentes biomas do país, tanto na Floresta Amazônica como no Cerrado.

Flavio Henrique da Silva, da UFSCar, outro coordenador do estudo, foi o responsável por esse processo de bioprospecção. E o achado mais promissor ocorreu no lago Poraquê, na Amazônia, onde amostras da comunidade microbiana não cultivável local apresentaram genes codificadores de beta-glucosidases com o potencial industrial procurado.

“Em um habitat como o lago Poraquê os microrganismos adaptaram-se a uma alimentação muito rica em polissacarídeos, constituída por resíduos de madeira, folhas de plantas e etc. A enzima beta-glucosidase presente nesses microrganismos é distinta de enzimas homólogas resultantes de pressões evolutivas diferentes”, disse Murakami.

Sacarificação simultânea à fermentação

Em seus estudos enzimológicos, Silva verificou que a beta-glucosidase codificada pelos microrganismos do lago Poraquê apresentava eficiência catalítica para a sacarificação do bagaço de cana-de-açúcar e tolerância expressiva à inibição pela glicose. O passo seguinte foi dado pela equipe de Murakami, especializada em biologia estrutural mecanística, que elucidou, em nível molecular e atômico, as bases do funcionamento dessa enzima.

“Foi um bom exemplo de trabalho em equipe, juntando grupos de prospecção, grupos de enzimologia, grupos de estudos mecanísticos, grupos de bioinformática e etc. Utilizamos equipamentos do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e de outros laboratórios nacionais”, disse Murakami.

Em relação à estrutura molecular, o estudo oligomérico evidenciou uma proteína diferente das demais de sua categoria, com uma arquitetura quaternária única.

“Esse estudo corroborou pesquisas anteriores do grupo a respeito dos determinantes estruturais para a tolerância da enzima ao produto, validando nosso modelo mecanístico. Além disso, verificamos que essa beta-glucosidase atua em condições de temperatura e pH compatíveis com o processo de hidrólise”, disse Murakami.

Essa informação é muito relevante, porque indica que a enzima encontrada pode vir a compor um processo chamado de SSF: sacarificação simultânea à fermentação. Pelo fato de poder atuar em condições de temperatura compatíveis com o crescimento da levedura, essa beta-glucosidase propicia que a disponibilização do carboidrato resultante da sacarificação e sua fermentação pela levedura possam ocorrer ao mesmo tempo. Tal estratégia ajuda a mitigar o efeito de inibição pelo produto, porque, à medida que o açúcar é produzido, ele também vai sendo consumido pela levedura, o que alivia a enzima da inibição por uma quantidade excessiva de glicose.

O passo seguinte é fazer estudos de combinação dessa enzima com os coquetéis enzimáticos fúngicos já existentes, visando o ganho de eficiência no aumento da sacarificação.

“Uma vez extraído o gene de interesse, a partir de bibliotecas gênicas de microrganismos não cultiváveis e de possíveis modificações racionais baseadas no conhecimento da estrutura para aumento de termoestabilidade, ele é transferido para outros hospedeiros por meio de técnicas de biologia molecular. O hospedeiro em questão é o trichoderma, um fungo filamentoso que já possui um arsenal de enzimas ativas sobre carboidratos. Com a adição da beta-glucosidase amazônica, ele terá seu potencial aumentado. Trata-se de potencializar uma plataforma microbiana industrial já existente”, disse Murakami. O objetivo da equipe é patentear o fungo engenheirado com a enzima.

Fonte: Fapesp

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Em decisão inédita após ação movida por jovens, Corte Suprema determina ao governo que elabore em quatro meses um plano de desmatamento zero para o país

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FOTO: INTERNET

A Amazônia tem os mesmos direitos que um cidadão e, como tal, deve ter sua integridade protegida pelo governo. A decisão, inédita, foi tomada nesta quinta-feira (5) pela Corte Suprema da Colômbia, e representa uma pequena revolução jurídica no combate às mudanças climáticas na América Latina.

A decisão do tribunal, divulgada em primeira mão pelo jornal colombiano El Espectador, foi dada após os ministros julgarem uma ação impetrada no tribunal Superior de Bogotá por uma ONG representando um coletivo de jovens. Os ministros julgaram procedente o pedido dos litigantes, que afirmavam que a falta de ação do governo federal contra o desmatamento está agravando as mudanças do clima e, portanto, pondo em risco o futuro da juventude.

A corte determinou à Presidência da República e ao Ministério do Meio Ambiente que apresentem em quatro meses um plano para zerar a perda de florestas na Amazônia colombiana.

O caso começou a tramitar no Judiciário em 29 de janeiro, quando 25 cidadãos com idades de 7 a 26 anos impetrou na primeira instância um pedido de tutela. Esse instrumento jurídico é o mecanismo mais rápido de proteção a direitos ameaçados existente na lei colombiana. Segundo informou ao OC na ocasião a advogada Gabriela Eslava, da ONG Dejusticia, que representa os jovens, o juiz tinha dez dias para responder.

A ação exigia do governo que defendesse os direitos das gerações futuras a “um ambiente sadio, à vida, à saúde, à alimentação e à água, que estão sendo ameaçados pelo desmatamento na Amazônia colombiana e seus efeitos no aquecimento do país”.

O pedido concreto era para que o governo federal apresentasse em seis meses um plano para zerar o desmatamento na Amazônia – que, além de ajudar a aquecer a Terra ao liberar gases de efeito estufa, também ameaçaria o abastecimento de água de Bogotá, já que é da floresta que vem a umidade que produz as chuvas no Páramo (campo montanhoso) de Chinganza, “fábrica de água” da capital. O governo recorreu e a ação foi parar na Suprema Corte.

O caso da Dejusticia foi a primeira ação de litigância climática contra um governo na América Latina. Em 2017, um agricultor peruano conseguiu de um tribunal alemão a admissão de um processo contra uma empresa alemã de energia, por causar poluição que derrete geleiras nos Andes, ameaçando a região de Huaraz com enchentes.

No Brasil, no ano passado, a ONG Associação Pachamama impetrou uma ação contra o governo federal e o Estado de Minas Gerais. O objeto não era o clima, mas a degradação ambiental, por conta do desastre da Samarco. A ação pede que a bacia do Rio Doce, afetada pela lama, seja reconhecida como sujeito da lei, assim como os cidadãos, e que o governo crie uma base de dados de municípios em risco de desastre. A ação ainda corre na Justiça.

A Colômbia já havia se comprometido com o desmatamento zero até 2020 antes mesmo de adotar sua NDC, o conjunto de metas no Acordo de Paris que prevê a redução de 20% nas emissões até 2030. A promessa, porém, ficou no papel: o corte raso cresceu 44% no país entre 2015 e 2016. Hoje 60% das emissões de carbono colombianas vêm do uso da terra.

Além de dar status jurídico especial à Amazônia e obrigar o governo a agir, o STF colombiano também determinou aos municípios da região que apresentem planos de ordenamento territorial, afirmou o El Espectador.

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