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Segundo Sipam, próximos dois meses devem ser de mais chuva. Defesa Civil diz estar preparada para atender 17.592 famílias


Um prognóstico para uma possível enchente no Amazonas este ano e as ações de resposta aos desastres já adotadas – como a aquisição de embarcações para atender as calhas – foram apresentados nesta quarta-feira (24) pela Defesa Civil do Estado durante a 1ª Reunião do Comitê Técnico de Monitoramento da “Cheia 2018”. O encontro aconteceu no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no bairro Petrópolis, Zona Sul.

De acordo com o secretário de Defesa Civil do Estado, Fernando Pires Júnior, as primeiras duas embarcações, adquiridas pelo Governo do Amazonas, para as calhas do Juruá e Médio Solimões, serão utilizadas na logística de socorro aos afetados, deslocamento de famílias isoladas, monitoramento de áreas atingidas, distribuição de ajuda humanitária, entre outras ações. Os barcos têm capacidade para transportar até dez passageiros e 1,2 mil quilos de carga.

“As lanchas são para complementar as ações na parte de prevenção. Os municípios têm esse tipo de embarcação, o que estamos fazendo é reforçando as atividades para que possamos acompanhar esse monitoramento dos municípios junto com as nossas coordenadorias, e que possamos ficar mais próximo dos municípios em termos de preparação para desastre”, disse Fernando Pires.

No gráfico de desastres da Defesa Civil do Amazonas, as calhas do Juruá e Purus são as primeiras regiões afetadas no Estado com inundações devido a cheia dos rios. Com o possível estabelecimento de uma enchente de grande porte em 2018, o órgão afirma que está preparado para o atendimento médio de 17.592 famílias.

Fernando Pires ressaltou ainda que com a capacitação das 62 coordenadorias de Defesa Civil do Estado, feita no ano passado, bem como com a criação do Plano de Contingência, todos os municípios sabem o que fazer e estão preparados em caso de desastre de enchente.

O chefe da divisão de meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ricardo Dallarosa, disse que a previsão indica chuva acima da média, pelo menos, nos próximos dois meses na região, o que representa uma preocupação porque nesta estação chuvosa já chove bastante. “Esse fenômeno é conhecido, mas de qualquer maneira precisamos ficar sempre atento”, destacou.

Ele enfatizou que vamos ter o reflexo nos rios em meados de junho, e como ainda estamos no fim de janeiro ainda está cedo para formular alguma previsão do tamanho da cheia. “Por isso a gente precisa continuar o monitoramento para que possamos nos adiantar em relação aos problemas que podem advir dessa condição de chuva acima da média na estação chuvosa”, afirmou.

A pesquisadora do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) Luna Gripp, por sua vez, disse que até o momento o nível dos rios do Amazonas está dentro da normalidade. O que é preciso agora é observar daqui para frente por conta da previsão de chuva acima da média. “Por enquanto, tirando a bacia do Madeira que teve uma situação de alerta alguns dias atrás, a enchente nos rios está numa situação de normalidade”, salientou.

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queimadas
Dezenas de unidades de conservação são afetadas ou destruídas pelo fogo

As partículas carregadas de toxinas, liberadas durante queimadas na Amazônia, se inaladas involuntariamente por longo período, podem causar estresse oxidativo das células e danos genéticos irreversíveis, resultando até mesmo em câncer de pulmão.

A descoberta é resultado de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Fundação Oswaldo Cruz e Universidade Federal de Rondônia(Ufro).

A pesquisa é referente a uma tese de doutorado da bióloga Nilmara de Oliveira Alves, da USP. A equipe coletou amostras de material particulado fino em Porto Velho, uma das áreas mais afetadas pelas queimadas na região amazônica.

Para entender como ocorre a contaminação, os pesquisadores expuseram em laboratório linhagem de células pulmonares às partículas, compostas por material tóxico, em concentração semelhante com as encontradas nas queimadas da Amazônia, analisadas com técnicas bioquímicas avançadas.

Essas análises permitiram medir o grau de inflamação e de lesão no DNA. Foi comprovado que o dano no DNA pode ser tão grave a ponto de a célula perder o controle e começar a se reproduzir desordenadamente, evoluindo para câncer de pulmão.

Para a pesquisadora Sandra Hacon, da Escola Nacional de Saúde Pública, as conclusões do trabalho são inéditas. Segundo ela, pela primeira vez foi possível demonstrar que as partículas de queimadas da Amazônia, ao entrarem nos alvéolos pulmonares, causam danos genéticos nas células, podendo leva ao câncer de pulmão.

Sandra Hacon e o pesquisador Christovam Barcellos coordenaram o projeto Clima & Saúde da sub Rede de Mudanças Climáticas do INPE/INCT Rede Clima. O estudo foi publicado na revista Nature Scientific Reports.

O projeto da Rede Clima envolve os efeitos das queimadas com alterações climáticas. Sandra informou que algumas medidas podem ser adotadas pelas autoridades ambientais e de saúde, no sentido de evitar o agravamento de doenças respiratórias na população, exposta a fumaça das queimadas.

“ É uma questão de bom senso. Não faz sentido continuar esse processo de queimadas na Amazônia. A situação estava controlada, mas houve aumento acentuado nos últimos três anos. Uma alternativa é a montagem, pelas secretarias municipais de Saúde, de um sistema de vigilância das doenças respiratórias, de modo a ajudar a população das cidades onde as queimadas vem ocorrendo de forma sistemática.”

Nos meses de agosto, setembro e outubro os focos de incêndios dissipam uma nuvem de fumaça tóxica sobre a região amazônica. A população mais vulnerável é formada por crianças e idosos.

De acordo com Sandra Hancon, as crianças menores de cinco anos, prejudicadas pelo impacto das partículas com componentes cancerígenos da fumaça das queimadas, desenvolvem alergias respiratórias, que comprometem o aprendizado escolar.

Conforme a pesquisadora, os mais atingidos são principalmente famílias de baixa renda, que estão em áreas de risco sem alternativa de sair.

Sandra Hacon disse ainda que a divulgação do trabalho pode incentivar as autoridades a instituir na região um programa de melhoria da qualidade do ar e monitoramento dessas partículas finas provenientes das queimadas, decorrentes da ocupação desordenada para atender a interesses econômicos .

Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, indicam que em 2017 ocorreram mais de 275 mil focos de incêndio em todo o território nacional, sendo mais de 132 mil em estados amazônicos.

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Já são 10 o número de pessoas diagnosticadas com a doença no Estado


A Secretaria de Saúde do Amazonas, através da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) confirmam, por meio de análises laboratoriais, a presença do parasita Trypanosoma cruzi, na amostra de açaí consumida pela família que contraiu Doença de Chagas, no município de Lábrea (AM).

Essa é a primeira vez que é comprovada cientificamente a presença do parasita no alimento, no Amazonas. Antes, a comprovação era feita por associação.

A comprovação só foi possível devido ao fato de que a Vigilância Epidemiológica da FVS-AM conseguiu recuperar as amostras de açaí que ainda estavam disponíveis junto ao fornecedor, segundo explica o infectologista pesquisador Jorge Guerra.

“O período de incubação do parasita é de 10 a 22 dias. Se uma pessoa consome hoje algo contaminado, ela tem até 22 dias para manifestar os sintomas da doença. Quando isso acontece, geralmente, o material que poderia nos servir de amostra já foi consumido, descartado ou teve algum fim que não o laboratório”, explicou.

Desde 2010, foram registrados 58 casos da Doença de Chagas por transmissão oral, quando o contágio acontece por meio de alimento contaminado. No entanto, de acordo com o diretor presidente da FVS-AM, Bernardino Albuquerque, a confirmação de que a transmissão acontecia por vinho de açaí não existia.

“Nós tínhamos os relatos das pessoas que haviam consumido o mesmo produto. Geralmente, era um número de pessoas próximas que tinham se alimentado,inclusive no mesmo período. Esse fator e os sintomas da doença se manifestando, mais os exames nas pessoas, nos levavam a concluir o diagnóstico”, complementou.

Com a recuperação da amostra, uma alíquota do produto foi encaminhada para o Laboratório de Referência Nacional do Instituto Evandro Chagas. Outra amostra foi avaliada pelos pesquisadores da FMT-HVD, que aplicaram uma técnica de baixa complexidade que identificou a presença do parasita.

Em Lábrea, a pessoa responsável pela produção do vinho de açaí foi identificada. Trata-se de um produtor de pequena escala. A Vigilância Sanitária do município apreendeu os equipamentos e as amostras de açaí ainda disponíveis.

A FVS-AM está reforçando as campanhas de conscientização em relação às boas práticas na produção de alimentos com matéria-prima da floresta. A cartilha “Preparando o açaí produto da floresta e seus derivados com boas práticas de higiene”, produzida pelo órgão, foi redistribuída aos produtores.

Contaminação

Nesta sexta-feira (12), três novos casos de Doença de Chagas foram confirmados. As pessoas que consumiram o mesmo lote de açaí de Lábrea estavam em Manaus, assintomáticas, e foram identificadas por meio do monitoramento feito pela FVS. Com isso, chega a 10 o número de pessoas que contraíram a doença.

Quatro pacientes estão fazendo tratamento ambulatorial com profissionais da FMT-HVD e seis estão em Lábrea. Apenas um dos pacientes, uma criança, chegou a ser internada, mas já recebeu alta.

Em Manaus, todos os pacientes passaram por consultas e avaliações no Hospital Universitário Francisca Mendes (HUFM) e na FMT-HVD. Os demais pacientes são acompanhados pelo Hospital Regional de Lábrea.   

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