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Num texto clássico chamado Odisséia Homero narra o retorno do herói grego Ulisses, da guerra de Tróia, uma história de farsa e tragédia. Em outro front Karl Marx citou Hegel, no texto em que desenvolve o materialismo histórico e dialético, o 18 Brumário de Luiz Bonaparte: “Os grandes personagens históricos ocorrem duas vezes sendo uma em forma de farsa e outra de tragédia”.

Euclides da Cunha é um grande personagem histórico, um gênio literário que não pode escapar ao seu fardo. O impaciente leitor pode pensar: e daí? Ocorre que a Odisséia de Euclides ocorreu numa viagem que tem como veduta o cenário bucólico do Rio Purus e também nossa querida região de Boca do Acre.

Explico melhor, após a guerra dos seringueiros contra os Bolivianos, foram formadas comissões para a definição das fronteiras entre Brasil, Peru e Bolívia. A comissão brasileira era comandada por Euclides da Cunha. Ele chegou a Manaus oriundo do Rio de Janeiro, no início do ano de 1905, deixando na capital federal sua família. Durante três meses permaneceu na capital Baré, partindo para o Purus no início do mês de abril.

A natureza bravia da região o encantou de chofre, logo, porém, teve início a tragédia, pois a malária indômita, o béri béri e os piuns solapavam cruelmente os membros da comitiva. Posseidon largou os afazeres olímpicos e em plena Amazônia naufragou um dos barcos da caravana, o “Manoel Urbano”, sepultando-o à eternidade na tensa lamacenta.

No Rio de Janeiro tinha início a farsa, sua esposa Anna tinha um pretendente, um sujeito chamado Dilermando de Assis. Diferentemente de Penélope sua esposa não era tecelã e seu filho em nada se assemelhava a Telêmaco.

No Purus Euclides claudicava buscando sua porção mais intestina, seu gênese. Em dois de maio de 1905, a noite, chegou a Boca do Acre, registrando assim em seu relatório de viagem: “Ali permanecemos por três dias, no período de 2 a 5 de maio e prosseguirmos de Boca do Acre para a cabeceira”. Ao retornar fundeou novamente na foz do Rio Acre, onde encontrou e conversou longamente com Plácido de Castro, viajando juntos para Manaus.

As relações servis existentes nos seringais indignaram sobremodo o escritor, que escreveu um belíssimo texto intitulado JUDAS AHSVERUS, comentando a malhação de Judas nos seringais. Em sua visão, a malhação seria na verdade a autoflagelação do cativo por deixar-se internar incontinente, submetido aos grilhões dos coronéis de barranco.

Ao retornar ao Rio de Janeiro encontrou a esposa grávida do amante. Vociferando Euclides tenta matá-lo, mas o astuto amante, cadete do exército, o acertou primeiro com quatro tiros fatais. Seu filho, Quidinho, esperou uma oportunidade para vingar o genitor, mas também foi assassinado por Dilermando. A esposa infiel ainda permaneceu como consorte do assassino.

Finalmente ocorrera o encontro da tragédia e da farsa, mas a saga ainda não estava completa, outro filho do escritor, Sólon, veio para a Amazônia e aos 24 anos de idade foi assassinado na cidade da Tarauacá.

Por fim, tinham razão Hegel, Marx e Homero a tragédia e a farsa são gêmeas e acompanham os passos dos grandes personagens da história.

 
 
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